A ideia de “desistir do papel do juiz na constelação familiar” se refere à discussão sobre a possibilidade de utilizar a constelação familiar como ferramenta no âmbito do Poder Judiciário, especificamente na resolução de conflitos familiares. Essa prática tem sido defendida por alguns como uma forma de auxiliar as partes a entenderem suas histórias familiares e encontrarem soluções mais harmoniosas, enquanto outros a criticam por questões relacionadas à sua base científica e à possibilidade de invisibilizar violências.
Argumentos a favor da utilização:
- Auxílio na resolução de conflitos:A constelação familiar, segundo seus defensores, pode ajudar as partes a compreenderem as dinâmicas familiares envolvidas no conflito, levando a uma maior empatia e facilitando a busca por soluções mais pacíficas.
- Entendimento da história familiar:A prática permite que as pessoas explorem suas histórias familiares, identificando padrões e dinâmicas que podem estar contribuindo para o conflito, o que pode gerar um senso de pertencimento e aceitação.
- Busca por harmonia:Ao trazer à tona questões emocionais e sistêmicas, a constelação familiar pode auxiliar na busca por um estado de paz e integração, tanto para as partes envolvidas quanto para seus familiares.
Argumentos contra a utilização:
- Falta de base científica:A constelação familiar é considerada uma prática pseudocientífica por muitos, o que levanta dúvidas sobre sua eficácia e segurança como ferramenta no contexto do Judiciário.
- Risco de invisibilização da violência:Críticos argumentam que a constelação familiar pode levar à negligência de questões de violência doméstica e abuso, ao focar em dinâmicas familiares mais amplas sem abordar adequadamente as situações de violência.
- Violação da Lei Maria da Penha e do ECA:A utilização da constelação familiar em casos de violência doméstica ou abuso infantil pode violar a Lei Maria da Penha e o Estatuto da Criança e do Adolescente, respectivamente.
- Incompatibilidade com o Código de Ética Profissional do Psicólogo:O Conselho Federal de Psicologia emitiu nota técnica repudiando o uso da constelação familiar por psicólogos, argumentando que a prática não possui embasamento científico e pode levar a sofrimento psíquico.
Situação atual:
Atualmente, a utilização da constelação familiar no âmbito do Poder Judiciário ainda é objeto de debate. O Projeto de Lei 2166/24, por exemplo, propõe a proibição da prática no Judiciário, enquanto a Comissão de Direitos Humanos (CDH) rejeitou a sugestão de proibição da prática em atendimentos públicos, incluindo o SUS e o Judiciário.
Em resumo, a questão de “desistir do papel do juiz na constelação familiar” envolve um debate complexo, com argumentos favoráveis e contrários à sua utilização. É fundamental considerar os riscos e benefícios, bem como a necessidade de embasamento científico e respeito às leis e códigos de ética profissional, antes de qualquer decisão sobre a adoção da constelação familiar no contexto do Judiciário.
